É frequente que pais notem a criança andando na ponta dos pés. Na maioria das vezes isso faz parte do aprendizado da marcha — mas, em alguns casos, pode ser o primeiro sinal de uma condição que merece investigação.
Quando costuma ser normal
Nos primeiros meses depois que a criança começa a andar, é comum alternar passos na ponta dos pés com passos apoiando o pé inteiro. Com o amadurecimento do equilíbrio e da coordenação, o padrão tende a se normalizar, em geral até os 2 a 3 anos.
Há também crianças saudáveis que mantêm o hábito por mais tempo sem nenhuma causa identificável — a chamada marcha na ponta dos pés idiopática. Mesmo nesses casos, o acompanhamento ajuda a evitar o encurtamento progressivo da panturrilha.
Sinais de alerta
- A marcha na ponta dos pés persiste depois dos 2 a 3 anos ou reaparece depois de a criança já andar normalmente;
- Acontece só de um lado;
- A criança não consegue apoiar o calcanhar quando pedido, ou o tornozelo está rígido;
- Há quedas frequentes, cansaço fácil ou dificuldade para correr e subir escadas;
- Existe atraso do desenvolvimento motor, da fala ou da interação social;
- Há histórico de prematuridade ou de intercorrências no parto.
Possíveis causas
Além da forma idiopática, a marcha na ponta dos pés pode estar associada a encurtamento do tendão de Aquiles, a condições neurológicas como a paralisia cerebral leve, a doenças neuromusculares e a alterações do neurodesenvolvimento, como o transtorno do espectro autista. Por isso a avaliação inclui um exame neurológico e ortopédico completo.
Como é a avaliação
O ortopedista pediátrico observa a criança andando e correndo, mede a amplitude de movimento do tornozelo, avalia força, tônus e reflexos e investiga a história do desenvolvimento. Vídeos gravados em casa ajudam muito. Em casos selecionados, a análise de marcha detalha o padrão e orienta o tratamento.
Tratamento
Depende da causa e da rigidez do tornozelo: observação, alongamentos e fisioterapia, órteses, gessos seriados, toxina botulínica e, em casos específicos, cirurgia de alongamento. O objetivo é permitir um apoio confortável e eficiente do pé.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.