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Pé torto congênito: como funciona o tratamento pelo método de Ponseti

Dr. Leonardo Cury Abrahão · CRM-MG 32435 · RQE 1697719 de setembro de 20264 min de leitura

Imagem ilustrativa.

O pé torto congênito é uma deformidade presente ao nascimento em que o pé fica virado para dentro e para baixo. Pode afetar um ou os dois pés e, muitas vezes, já é suspeitado na ultrassonografia do pré-natal. A boa notícia é que existe um tratamento consagrado, com ótimos resultados quando bem conduzido: o método de Ponseti.

As etapas do tratamento

1. Gessos seriados

O tratamento costuma começar nas primeiras semanas de vida. A cada semana, o médico faz manobras suaves para corrigir gradualmente a posição do pé e aplica um gesso da ponta dos dedos até a coxa, que mantém a correção obtida. Em geral são necessárias algumas trocas.

2. Tenotomia do tendão de Aquiles

Na maioria das crianças, ao final da fase de gessos, é feito um pequeno procedimento para alongar o tendão de Aquiles, com anestesia local, seguido de um último gesso por cerca de três semanas.

3. Órtese de abdução

Depois da correção vem a etapa mais importante para evitar que a deformidade volte: o uso de uma órtese de abdução — sapatinhos unidos por uma barra. No início, ela é usada praticamente o dia todo; depois, apenas para dormir, por alguns anos.

O papel da família

O sucesso do método depende muito do uso correto da órtese. A principal causa de recidiva é a interrupção precoce ou o uso irregular. A equipe orienta sobre adaptação, cuidados com a pele e o que fazer se a criança não tolerar o dispositivo.

E depois?

O acompanhamento continua durante o crescimento, porque alguns pés podem apresentar recidiva parcial e precisar de novos gessos ou de pequenos procedimentos. A maioria das crianças tratadas anda, corre e pratica atividades físicas normalmente.

Em crianças com condições neurológicas ou síndromes associadas, o pé torto pode ser mais rígido e exigir um plano de tratamento adaptado.

Em resumo: o pé torto congênito tem tratamento eficaz. Começar cedo, seguir as etapas e manter o uso da órtese são as chaves do bom resultado.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

Dr. Leonardo Cury Abrahão
Sobre o autor

Dr. Leonardo Cury Abrahão

Ortopedista e traumatologista com especialização em ortopedia pediátrica e atuação em neuro-ortopedia infantil em Belo Horizonte. CRM-MG 32435 · RQE 16977. Conheça a trajetória ou veja as dúvidas frequentes.

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